4ª Jornada, Boavista vs Amarante, Sábado, 28 de Setembro, 16h00, Estádio do Bessa Séc. XXI
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terça-feira, 23 de março de 2010

Marlon Brandão, lembra-se? De parceiro de Gomes a carrasco do Inter

Antigo avançado de Sporting e Boavista recorda carreira

Nome de estrela de cinema, mas pés de astro do futebol. Marlon Brandão é um nome incontornável da viragem da década de 80 para 90 em Portugal. Com o verde e branco de Alvalade, mas, sobretudo, com o xadrez do Bessa. O Boavista é, aliás, o primeiro
tema que Marlon, agora agente desportivo, puxa na conversa com o Maisfutebol.

«Bem, é muito triste o que se está a passar com o Boavista. Uma equipa tão forte, das melhores de Portugal e, de repente, vê-se na II Divisão B. Tenho falado com outros jogadores da minha época. O Ricky está triste, o Nélson Bertolazzi também, o Artur, o Bobó, que é dos melhores amigos que tenho no futebol. Fizemos história naquele clube, deixámos uma marca bonita e ver isto agora...», lamentou.

No Sporting terminou sem títulos, mas do Bessa não saiu de mãos a abanar. Marcou ao F.C. Porto na final da Taça de Portugal de 1992, por exemplo: «Foi um golo muito importante. Regressava naquele jogo depois da lesão grave que sofri contra a Torino para a Taça UEFA e dar aquele título ao clube foi grandioso.»

Mas, da passagem pelo Bessa, há uma recordação especial. A surpreendente eliminação do todo poderoso Inter de Milão. A equipa que apelidou o Boavista de «clube das camisolas esquisitas». «Os italianos chegaram cheios de pose. Tinham aquele trio alemão do Brehme, Matthaus e Klinsmann e pensaram que vinham cá ganhar fácil. Nem tinham problemas em dizer que não conheciam a nossa equipa. Ganhámos 2-1 no Bessa e fomos eliminá-los a San Siro. Foi mágico», resume.

«No Sporting, quando não sabíamos o que fazer passávamos ao Gomes»

O sucesso que conheceu no Boavista teve a mesma mão da sua chegada a Portugal. Manuel José, então no Sporting, sugeriu a contratação de um avançado brasileiro, de baixa estatura, dos brasileiros do Santa Cruz. Um avançado, sim, mas não um ponta-de-lança. «No Sporting chegaram a utilizar-me nessa posição, mas depois o mister Keith Burkinshaw, quando chegou, disse-me que eu era habilidoso demais para aquela posição e achava que eu devia jogar mais solto, pela esquerda ou pela direita», explica.

Dos leões guarda a recordação de uma equipa sobre brasas. Chegou em 1986/87 para uma equipa que não vencia um título desde 1982. «Fiz um bom trabalho no Sporting, faltou ter a sequência que tive no Boavista. Estive lá no início daquele período de seca de títulos. Na altura, quando chegava o Natal, parecia que desmoronava tudo. Não se percebia o que acontecia em Janeiro e Fevereiro. Ficou sempre aquela frustração de não ter sido campeão nacional lá», revela.

No entender de Marlon a ausência de títulos nunca se deveu à falta de qualidade do plantel. No ataque, por exemplo, jogou com dois dos melhores pontas-de-lança de sempre do futebol português: Manuel Fernandes e Fernando Gomes. «Considero um privilégio ter jogado com eles. O Fernando Gomes, por exemplo, deixava-me quase sem palavras. É certo que foi na fase final da carreira, mas nós sabíamos que quando não soubéssemos o que fazer com a bola, podíamos dar para ele que ele ia resolver. Era um goleador nato», lembra.

Veja o resumo do jogo com o Inter:


Dezasseis anos depois, Marlon pede desculpa, Manuel José perdoa

Técnico relembra saída conturbada do brasileiro do Boavista

0 comentários videoUma reconciliação com o patrocínio do Maisfutebol. Em declarações ao nosso jornal, Marlon Brandão, antigo avançado do Boavista, lembrou o conturbado processo que o levou a deixar o Bessa a meio da temporada de 1994. Uma mancha que o avançado brasileiro se mostrou empenhado em apagar.

«No Boavista diziam que eu era muito nervosinho e não gostava de coisas erradas. Depois surgiu um problema com o Manuel José. Fiz coisas erradas, ele também, mas se fosse hoje não tinha feito assim. Acabei por sair e não voltei a falar com ele. Gostava de o encontrar e conversar sobre isso. Não há espaço para mágoa no meu coração. Ele ajudou-me muito e aproveito para lhe pedir desculpa publicamente e garantir que não guardo ressentimentos», afirmou.

Ora, partindo das declarações de Marlon, escutamos Manuel José, que lembrou tudo o que aconteceu. «Eu tinha uma boa relação com o Marlon, fui eu que o trouxe para Portugal, para o Sporting. Mas ele arranjou um problema e eu tive que o mandar embora. Deu uma entrevista em que, praticamente, dizia que no Boavista tudo era mau, menos o treinador e o presidente. Achava que tinha de ser o mais bem pago do plantel. Chegou tarde ao treino por causa dessa entrevista e quando soube o conteúdo percebi que tinha ali um conflito interno. Criou uma divisão», conta o treinador.

«Podia ter sido a melhor época do Boavista»

O caso tornou-se mais complicado quando Valentim Loureiro, então presidente do Boavista, tomou posição por Marlon. «O presidente ficou do lado dele e isso obrigou-me a mandá-lo embora. Saiu do Boavista porque eu quis. Quem mandava na equipa era eu. Tínhamos alguns brasileiros no plantel, o Nélson Bertolazzi dava-se muito bem com ele e eu disse-lhe que podia ir também. Se ficasse, por uns tempos, não ia ser opção. Ele ficou e voltou a jogar. Ainda nos foi muito útil», recorda.

Manuel José entende que a decisão tinha de ser tomada e vê-a como a mais correcta. O que não signifique que tenha sido a mais fácil: «Estamos a falar daquele que era o melhor marcador do Boavista e julgo que até estávamos em primeiro lugar do campeonato. Aquela tinha condições para ser a melhor época da história do Boavista.»

Depois do Boavista, a carreira de Marlon Brandão não se estendeu muito mais. Jogou no Valladolid, em Espanha, e esteve no campeonato norte-americano até pendurar as chuteiras.

As desculpas? Estão aceites. «Se estiver com ele, não tenho qualquer problema em falar com ele. Não vale a pena estar a exumar cadáveres. Foi mau para ele, foi mau para a equipa, mas já é passado. O Marlon que fique a saber que da minha parte não há ressentimentos. Não sou de guardar rancores, nunca o fui. Se estiver com ele vamos conversar normalmente, de certeza», assegura Manuel José.

Recorde um Boavista-F.C.Porto decidido por Marlon:

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Entrevista de Ricky ao site "Mais Futebol"


Ricky, lembra-se? 6 golos no Benfica, herói no Boavista
Avançado nigeriano brilhou nos anos 90 e deixou saudades


Richard Daddy Owubokiri deixou saudades no futebol português. Recue até aos anos 90, reduza este nome a Ricky e tente recordar alguns golos do avançado nigeriano. Muitos, por sinal. Chegou ao nosso país para jogar no Benfica, marcando apenas seis tentos. A maior dose estava reservada para o Boavista.

«Fiz apenas seis golos no Benfica, mas fui artilheiro no Boavista e em muitos clubes por onde passei. Tive pena mas, depois do Boavista, nunca mais houve uma abordagem de um grande clube do futebol português», recorda o antigo ponta-de-lança. Artilheiro, assim mesmo em brasileiro, idioma que acompanha Ricky desde a recta final da carreira.

Empresário FIFA radicado em Salvador da Bahia, Ricky faz uma viagem no tempo, em conversa com o Maisfutebol. Era um matador puro, rotulado de flop no Benfica, catapultado a herói no Boavista. Foi o melhor marcador do campeonato português em 1992, com 30 golos em 34 jogos!

«Vim do Metz em 1988, mas tive um azar tremendo logo no primeiro jogo pelo Benfica. Parti uma perna e nunca mais me consegui impor», lamenta o ex-jogador. Não foi bem assim. Tem uma média de um golo por jogo na Luz. Seis em seis partidas. Pena que tenham sido todos no mesmo encontro.

Em Janeiro de 1989, completou um duplo «hat-trick» frente ao Riachense (14-1), na Taça de Portugal. «Fiz um jogo incrível mesmo, e marquei seis golos. Mas acabei por sair, fui para o Estrela e atravessei a melhor fase da minha carreira no Boavista», recorda.

Ricky, Marlon Brandão, João Pinto, Artur...

O Boavista encantou no início dos anos 90. Presididos por Valentim Loureiro, orientados por Manuel José, os axadrezados começaram a lançar as bases para o futuro. Risonho por vezes, cinzento na actualidade. «Éramos um clube de bairro, mas vencemos uma Taça de Portugal, uma Supertaça, fizemos um terceiro lugar e surpreendemos nas competições europeias. Grandes anos, aqueles», desabafa.

Ricky marcava. À sua volta, Marlon Brandão, João Vieira Pinto primeiro, Artur depois. Nomes que ficaram gravados na memória dos adeptos: «Era um grande ataque, mesmo. Para mim, o melhor ano foi com João Pinto, Marlon e Ricky. Era um trio perfeito. Depois veio o Artur, outro grande jogador, com um estilo diferente.» O presente, contudo, entristece o antigo goleador. «Sinto muita tristeza pelo que está a acontecer ao clube, gostava de ajudar. Vou torcer para que o clube volte ao lugar que merece», promete.

De Portugal para o Mundo

O internacional nigeriano saiu do Boavista em 1994. Passou pelo Vitória da Bahia, pelo Belenenses e terminou no Qatar. Um admirável mundo novo. «Era um bom campeonato, ainda sem grandes estrelas. Fiz muitos golos e estabeleci um recorde, que foi depois batido pelo Batistuta, anos mais tarde.»

Quando encerrou a carreira, Ricky regressou à Bahia que tanto o encantara. Subsiste como empresário de jogadores, fala a língua de Camões com uma desenvoltura assinalável e promete uma visita a Portugal para Abril. Os adeptos não se esquecem dele.